Osório César foi um dos primeiros psiquiatras brasileiros interessado em estudar a arte produzida por pacientes psiquiátricos, tendo iniciado esses estudos nos anos 1920 no Hospital do Juquery. Seu nome e seus trabalhos estão quase esquecidos. Este blog procura divulgá-los.

domingo, 26 de setembro de 2021

A Expressão Artística nos Alienados – Capítulo 7 – Parte 6

  

Lembremos que a doença que era chamada de Paralisia Geral, nessa época, correspondia à sífilis cerebral. Na época de Osório César já se conhecia o treponema pallidum que era o agente causal dessa moléstia. Mas ainda não tinha se desenvolvido o tratamento que surgiria a partir da penicilina tempos depois.  

 

Continua Osório César...

 

     Vejamos, como exemplo, os versos de um paralítico geral, homem de letras, antigo pensionista de Ville-Évrard:

“Quel crime ai-je commis pour être solitaire?

Je ne vois sous mes yeux que des fous torturés

Et des brutes frappant leurs corps défigurés.

Je n’ai d’autres recours que prier et me taire:

Oh! Seigneur, si je vous ai toujours bien servi,

Brisez l’asile infame où mon âme agonise.

Si ma captivité plus longtemps s’éternise,

Que dois-je faire, ô maitre, em qui ma foi survit?

J’ai, calme et réfléchi, suporte les injures

De tous les médecins liant ma volonté,

Et je sens s’élever dans mon Coeur irrité,

Une haine de fou pour ces docteurs parjures.

Laches! Vous ferez bien de ne pas provoquer

D’un seul affront de plus ma fierté qui s’indigne;

Car d’un seul de mes poings, avec ma force insigne

Je ferais d’un seul coup votre tête craquer.”[1]

[Tradução a seguir]

[Qual crime eu cometi para ser solitário?

Só vi sob meus olhos loucos torturados

E brutos sacudindo seus corpos desfigurados

Eu não tive outros recursos que orar e me abafar:

Oh, Senhor! Se eu sempre lhe bem servi

Acalma o asilo infame onde minha alma agoniza

Se minha escravidão por muito tempo se eterniza

Que devo fazer, oh mestre, para que minha fé sobreviva?

Eu tenho, calma e refletidamente, suportado as injúrias

De todos os médicos ligando minha vontade

E eu sinto se elevar no meu coração irritado

Uma raiva de louco por esses doutores todo dia.

Covardes! Vocês fariam bem de não provocar

Com mais uma afronta meu orgulho que se indigna;

Porque de um só de meus punhos, com minha força insigne

Eu faria de um só golpe vossa cabeça rachar.]

 

 



[1] Comunicado por Sérieux. Citado por Antheome et Dromond. Obra cit. Pag. 253.

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